Demetrius Ribeiro

Advogado Militante desde 1997. Membro da Comissão de Esportes da OAB/CE desde 2010. Conselheiro do Fortaleza Esporte Clube desde 2006. Ex- Procurador-Geral do TJDF/CE.

Formar atletas para o futebol profissional e cidadãos para a vida. Esse é o objetivo de qualquer categoria de base. Pelo menos deveria ser.


Porém, mais que isso, a base deve servir para provocar uma filosofia no clube, uma forma de atuar que caracterize o sentimento de uma Instituição, de uma torcida, de uma cidade.


O Barcelona, por exemplo, usa a base há trinta anos para impor no time principal o estilo da cultura catalã, de jogar bonito, com arte e com sentimento coletivo em detrimento do individual.


E isso se torna mais claro quando esses “artistas” aprendem essa filosofia desde quando pequenos nas primeiras categorias do futebol. Aprendem a valorizar essa cultura e a jogar por amor ao clube.


Assim o Ajax usa a sua base para defender o orgulho judeu, o Athetic de Bilbao o sentimento nacionalista basco e o Chivas a valorização de usar apenas jogadores mexicanos. Ou seja: o futebol pode ser mais que um jogo. Pode ser a demonstração de uma expressão cultural e filosófica.


Por isso o sonho é ver um dia o Fortaleza em campo usando apenas os jogadores da base para defender um estilo de tricolor de jogar futebol. Um estilo que leve para o mundo o modo que a torcida gosta de ver o seu time jogar: com ofensividade, garra, dedicação e luta até o final.


Contra o Crateús, entramos em campo com Alemão, Jeferson, Leandro, Edinho, Bismarck e Romarinho. Entraram, ainda, Charles Miller, Bebeto e Manoel Chuva.


E vencemos: 2x1 com dois gols de Romarinho que já fez, em um único jogo, a metade dos gols que Rômulo fez em toda a competição.


Louve-se que ainda temos emprestados a outros clubes no estadual Canga, Vinícius e Reginaldo Júnior com destaque maior para Canga que fez 10 gols jogando pelo hoje rebaixado Ferroviário e Reginaldo Júnior que fez cinco pelo Tiradentes.


Mas não é só utilizar os garotos. É ativar uma política de clube. É colocar os garotos para treinarem com os mais experientes, se concentrar eventualmente com eles para colherem bons conselhos e irem no banco e eventualmente entrar nos jogos.


E incutir na cabeça da molecada que o Fortaleza tem uma filosofia e tem uma missão: tornar-se um clube reconhecido nacionalmente e valorizando os jovens da terra e formados no nosso CT, jogando sempre como diz o hino: de forma combativa, aguerrida, vibrante e forte e sem demonstrar cansaço.


É muito mais fácil e barato fazer isso com a garotada do que com atletas que vem de fora, às vezes viciados e sem identificação com o clube.


E essa é a vocação do Leão. Nos anos 70 lançamos pro mundo jogadores como Pedro Basílio, Louro, Hamilton Melo etc.


Nas décadas seguintes, surgiram Eliézer, Caetano, Aberto, Herivelton, Clodoaldo, Erandir, Amaral, Ari, Osvaldo, todos revelados por esse clube que precisa retomar essa vocação e acreditar que é possível formarmos jogadores e cidadãos para defender as três cores.


Se é um sonho, pode ser que ele tenha começado a virar realidade ontem. Um jogo histórico para, quem sabe, um dia termos um clube com uma filosofia de jogo, de treino e de procedimento. Mesmo sendo um processo que leve anos, mas que tem que começar por algum ponto.


Demetrius Coelho Ribeiro

Twitter: @demetriusadv

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