Advogado Militante desde 1997. Membro da Comissão de Esportes da OAB/CE desde 2010. Conselheiro do Fortaleza Esporte Clube desde 2006. Ex- Procurador-Geral do TJDF/CE.
A grande polêmica da semana, mesmo antes da realização da rodada de meio de semana, foi a divisão das torcidas no primeiro clássico no novo PV.
Muito se fala em segurança, mas esse quesito nunca foi a prioridade nas discussões. O que pegou foi dinheiro.
As duas diretorias se reuniram há cerca de um mês na Federação Cearense de Futebol já para traçar as diretrizes do jogo. Na ocasião, com a presença do Ministério Público, ficou convencionado pelo Presidente do Fortaleza e pelo Presidente do rival – à época Robinson de Castro – que o jogo teria sim duas torcidas, meio a meio com divisão de rendas em 60% para o vencedor e 50% em caso de empate.
O presidente licenciado do rival, ao voltar à ativa, observou que a decisão prejudicaria financeiramente a sua agremiação, pois como tem mais sócios torcedores que o Fortaleza e que, por força do regulamento, seria cobrado o valor de 50% do valor do ingresso do setor que o sócio teria direito de ocupar, reviu a decisão e resolver rasgar o acordo.
Pesou, ainda, a possibilidade de haver problemas de violência no primeiro clássico e serem mudadas as regras para o segundo (cujo mando de campo será do Fortaleza) tirando a torcida do rival no jogo do returno.
Enviou ofício à Federação requestando a presença apenas da torcida do rival, pois era mandante.
A Federação acatou.
Não se atentaram que o artigo 81 do Regulamento Geral das Competições da CBF prevê a presença, de pelo menos, 10% de torcida visitante nos jogos. Era necessário, entretanto, o clube requerer, através de ofício, esse direito
O Fortaleza, a princípio, até por manifestação do seu presidente, não aceitou e assinalou que não iria oficiar pelos 10%. As torcidas uniformizadas do clube passaram a pressionar pelo percentual que o Leão teria direito.
Diante desse impasse, a Procuradoria Geral do TJDF usou sua prerrogativa de fiscal da lei jusdesportiva e protocolou requerimento ao Presidente do órgão para que concedesse liminar determinando o cumprimento do artigo 81 do RGC. E assim foi feito. Liminar concedida.
Porém todos esqueceram que na primeira reunião entre os clubes, o acertado (duas torcedores, meio a meio) constou em ata e foi assinado, ainda, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) e foi feito perante o MP, a PM e os demais órgãos envolvidos.
Por conta disso o MP, mostrando que as decisões tomadas nas reuniões sobre operação de jogo não são brincadeira e não estão dependentes aos humores dos presidentes dos clubes, adentrou no TJDF requerendo que o que foi acertado, assinado e protocolado na primeira reunião fosse posto em prática.
O órgão máximo da Justiça Esportiva Cearense, através do seu Presidente, novamente agiu e determinou que o jogo seja feito com duas torcidas, meio a meio, modificando apenas a carga de ingressos para o clássico-rei de domingo. Serão quinze mil no total.
Mas restava o valor dos sócios do rival que e pagassem meia traria prejuízo a ele.
Saída Salomônica: A Federação agiu como órgão político e trouxe para si o ônus de bancar a responsabilidade pelo jogo, retirando mando de campo (tornando-o neutro) e determinando que os sócios dos dois clubes pagassem ingresso, tanto no jogo de domingo como no clássico do segundo turno.
A questão financeira estava resolvida. Mesmo sendo uma maquiagem pois há mando sim, afinal o rival terá mais 1.400 torcedores a mais no estádio, o que será invertido no returno.
Trouxe como celeuma a insatisfação dos sócios que entendem terem seus direitos feridos justamente no jogo mais importante.
No final a medida não agradou ninguém, pois a mercadoria foi desvalorizada e o torcedor tratado não como cliente mas como apenas pagador de ingressos.
No meio de uma guerrinha psicológica, de poder nos bastidores, será hora das duas Diretorias finalmente sentarem à mesa como cavalheiros para definir a melhor saída para os dois clubes nos próximos jogos.
Vimos muitas ceninhas, ações para holofotes e para a mídia, muita bravata (como a ameaça de realização do clássico da volta no Pici) e pouco senso de diálogo e solução em conjunto, madura e equilibrada.
No meio disso tudo caminha o provinciano futebol cearense. Onde os interesses individuais (e políticos) e as vaidades se sobrepõem ao desenvolvimento e modernização do nosso futebol onde os dirigentes insistem em desvalorizar até o seu principal produto – o clássico-rei.
Mais um detalhe: nisso tudo há o interesse da TV que deverá transmitir a partida. Ela não está fora dessas discussões.
Demetrius Coelho Ribeiro
Comentários
Reconheço claramente que nosso presidente algumas vezes toma atitudes intempestivas e sem pensar direito nas consequências, mas reconheço também que no tocante a esse quesito o causador desta celeuma toda foi o CSC... E por motivo mais que banal... Tudo estava acertado até a renovação de Guto com o Fortaleza, e quaisquer que fossem os motivos a serem apresentados, nenhum justifica passar por cima de uma acordo selado com todas as instituições inerentes à organização e realização deste jogo simplesmente por pura pura birra de quem estava acostumado a ter todos os seus desejos atendidos e agora vê isso não mais acontecer.
Seria muito justo ser transmitido pela TV para os verdadeiros torcedores. Como eles dizem ter mais torcedores que espaço no PV, seria uma forma inteligente " se isso for possivel" por parte deles.
No mais estamos torcendo por uma boa partida dos jogadores e que no final ver o nosso LEÃO vencedor junto com a PAZ e A Saúde ESPORTIVA!!!!
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