Graduado em Letras,professor concursado da Rede Pública Estadual de Ensino do Ceará e da Rede Particular. Escreve contos,artigos e crônicas. Desportista.Ama futebol e torce apenas pelo Fortaleza Esporte Clube desde os sete anos de idade.
Ídolo é uma pessoa a quem se admira por suas atitudes e com quem às vezes nos identificamos.
Há ídolos nos diversos setores da atividade humana: ídolo da música, ídolo da TV, ídolo de times de futebol, e por aí vai. Mas quero me deter especialmente em fazer breve comentário sobre jogadores que se tornam e são aclamados pelas torcidas e clubes como ídolos.
A rigor, ídolo de um time de futebol seria aquele atleta que apresenta uma certa identificação com a torcida e com o time que pelo qual joga. Geralmente, ele vai além disso: consegue fazer o que a maioria dos outros jogadores não fazem pelo clube. Decide partidas, tem carisma, se empenha com desvelo pela equipe e consegue fincar raízes na agremiação que defende ou defendeu, e assim se torna inesquecível para a torcida e para o clube, sendo citado sempre que preciso, como elemento de referência e exemplo. No Brasil, temos poucos exemplos com essas características. Atualmente, pode-se citar os goleiros Rógério Ceni, pelo São Paulo, e Marcos (recentemente aposentado) pelo Palmeiras.
Historicamente, o maior exemplo continua sendo o rei Pelé, que defendeu apenas o Santos Futebol Clube durante toda sua trajetória aqui no Brasil. Zico também poderia ser citado como referência de ídolo pelo Flamengo.
O "ídolo" moderno, beija o escudo da equipe, faz declarações de amor, jura que nunca jogará pelo rival e no outro dia lá está ele, com a camisa trocada, jogando pelo adversário e fazendo as mesmas declarações. Claro que o advento da globalização, o surgimento da "figura de empresário de futebol" e a consequente mercantilização excessiva desse esporte, contribuíram para o declínio da existência do verdadeiro ídolo.
Qualquer jogador que faz uma dúzia de gols considerados decisivos ou goleiro que faz defesas razoáveis passam a usufruir de grande aparição na mídia e logo são aclamados como ídolos , passando a ser alvo de especulação de empresários para negociações milionárias, além de seus comportamentos e costumes passarem a ser imitados e copiados pelos mais jovens, por exemplo, o modelo do corte de cabelo.
Mas aqui mesmo no nosso estado, a partir dos anos 1970, já era bastante comum jogadores considerados ídolos,"trocarem de camisa"com clubes rivais. Podem-se citar alguns: Erandi, (era conhecido como o reizinho do Parque, na época) Amiltom Melo, Pedro Basílio, Amiltom Rocha,Marciano, Zé Eduardo, Jorge Costa, Tiquinho, dentre diversos outros atletas.
No momento, isso virou rotina não apenas nacionalmente, mas principalmente aqui em nosso estado.
Em 2011, o Fortaleza trouxe quase uma dezena de jogadores com passagens recentes pelo Ceará, embora não houvesse entre eles, nenhum atleta considerado ídolo. Marcelo Nicácio que trocou o Fortaleza de última hora pelo Ceará Sporting é um exemplo clássico.
Nicácio disputou a Série B pelo Fortaleza em 2009, quando o Leão caiu para a Terceirona. Recontratado em 2010 para defender o Leão na Série C e após ter se apresentado no Pici, Nicácio beijou o escudo leonino e fez declarações de amor ao tricolor. Porém, logo no dia seguinte, Marcelo Nicácio mudou de ideia e já estava vestindo a camisa do Ceará.
Há um outro exemplo semelhante: Um jogador anunciado como nova contratação do Fortaleza (em 19/01), o veterano Geraldo, considerado pela torcida alvinegra como um dos maiores ídolos da equipe dos últimos anos, líder e capitão do Ceará em 2009 e 2010, antes de ser dispensado pela diretoria alvinegra e ser contratado pelo Vitória, declarou em entrevista a programas de TV que jamais jogaria em outro clube aqui em nosso estado, que não fosse o Ceará.
Não há no momento, aqui em nosso estado, um atleta que apresente as características de ídolo, contudo, recuando um pouco no tempo, me veio à memória o nome de três atletas que se mantiveram fiéis à sua condição de verdadeiros ídolos e que podem ser citados como referência de seus clubes e torcidas: Mozart Gomes e Croinha pelo Fortaleza, e Gildo pelo Ceará.
O ídolo tricolor, Croinha, jogou na década de 1960 como centroavante do Fortaleza Esporte Clube. Foi Campeão cearense em 1967 e 1969, do Norte-Nordeste de 1970 e Vice da Taça Brasil. Lembro muito bem de Croinha mesmo após abandonar o futebol e esquecido por todos, vestido com a camisa tricolor e declarando amor ao time pelo qual jogara e onde fora ídolo. Croinha nunca jogou pelo Ceará.
Outro ídolo tricolor, Mozar Gomes, iniciou sua carreira no extinto Gentilândia, transferindo-se para o Fortaleza. Saiu do Leão e foi jogar pelo Clube do Remo e Náutico, em 1957 retornou ao Fortaleza. Foi campeão cearense pelo América em 1966. Antes, em 1960 sagrou-se campeão Estadual e vice da Taça Brasil pelo time do Pici. Jogou ainda pelo Fluminense,Ferroviário/CE, XV de Jaú/SP e Comercial de Ribeirão Preto/SP, mas em sua biografia não consta que tenha jogado pelo maior rival.
Gildo Fernandes de Oliveira, o Pernambuquinho, atuou no América de São José do Rio Preto, Santa Cruz do Recife ,Clube do Remo e Calouros do Ar. Foi campeão cearense pelo Ceará Sporting em 1961, 1962, 1963, 1971 e campeão do Norte e Nordeste em 1969. É o maior artilheiro da história do Ceará com 246 gols. A exemplo de Mozart e Croinha, Gildo nunca trocou de camisa com o maior adversário. Nunca jogou pelo Tricolor do pici.
Em âmbito nacional, ocorreu e ocorre o mesmo troca-troca. Inclusive com jogadores considerados não apenas ídolos ,mas de referência e modelo do futebol brasileiro, tais como Bebeto, Romário e R. Gaúcho, dentre inúmeros outros atletas.
O caso mais recente foi a transferência de Thiago Neves ,atacante do Flamengo, que se transferiu para o rival Fluminense no decorrer da semana passada, (18/01). As justificativas que algumas pessoas da mídia,"os empresários de futebol" e os jogadores utilizam para justificar as abruptas trocas de clubes dos "ídolos" são basicamente as seguintes:
1. O jogador é profissional e deve sempre aproveitar a melhor oferta quando ela surgir, pois um atleta tem a carreira muito curta;
2. O futebol é um grande negócio e é desta maneira que ele deve ser encarado.
Tudo bem. Os argumentos acima poderiam estar relativamente corretos, mas também é verdade que a ética deve fazer parte do discurso e da prática de jogadores e de outras pessoas ligadas diretamente ao mundo do futebol. Afinal, a ética e a compostura são qualidades que devem compor o caráter de quem se apresenta como "ídolo". A menos que seja "ídolo de araque"
Marcos Antonio
Em Prol do Grande Fortaleza
Equipe eTricolor.com.br
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